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06/07/2020 - 11:01 - Texto & Cia Comunicação
Associação de cientistas farmacêuticos alerta que ivermectina não previne COVID-19
Associação de cientistas farmacêuticos alerta que ivermectina não previne COVID-19 - TEXTO & CIA COMUNICAÇÃO

Medicamento não foi pesquisado em seres humanos para COVID-19 e pode provocar efeitos colaterais severos se administrado com cloroquina e hidroxicloroquina ...

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A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF), que reúne pesquisadores de inúmeras universidades brasileiras, alerta para o risco da adoção da ivermectina como medicamento preventivo para a COVID-19. O fármaco não tem estudos para tratamento dos sintomas causados pelo novo coronavírus e se coadministrado com cloroquina ou hidroxicloroquina expõe o paciente a riscos de efeitos colaterais graves.

Conselho Consultivo da entidade decidiu se manifestar diante da divulgação de que a ivermectina preveniria contra sintomas da COVID-19.

O SARS-CoV2 é um vírus do tipo RNA-vírus, causador da COVID-19, a pandemia que vem assolando o mundo desde o final de 2019. Esse vírus pertence à família Coronavírus (Coronaviridae), que tem mais de 50 vírus diferentes. Dentre esses, dois tipos causaram síndromes respiratórias graves em 2012: o MERS-CoV (Middle East Respiratory Syndrome – coronavirus) e o SARS-Cov (Severe Agude Respiratory Syndrome – coronavirus), com uma taxa de letalidade elevada.

Considerando que a descoberta de um novo medicamento para tratamento da COVID-19 pode levar muitos anos, grupos de pesquisa realizaram testes in vitro; ou seja, em células infectadas pelo vírus, empregando fármacos conhecidos, que já estavam no mercado. Entretanto, a capacidade de transmissão desses vírus não era muito elevada, se comparada com o SARS-CoV2 que causa a COVID-19, e a maioria das pesquisas iniciadas naquela época foi descontinuada com a diminuição dos casos das infecções por MERS-CoV e SARS-Cov.

Com o advento da COVID-19, pelo fato de o agente causador (SARS-CoV2) ser da mesma família do MERS e SARS-Cov, muitos grupos de pesquisa retomaram a investigação com os medicamentos estudados anteriormente. Dentre eles, está a ivermectina, cujos resultados foram obtidos para o SARS-CoV e o MERS-CoV a partir de estudos in vitro. Porém, em um protocolo terapêutico, a dose, frequência de administração e duração do tratamento só pode ser estabelecido a partir de estudos clínicos, em seres humanos (com pacientes e indivíduos saudáveis), seguindo a metodologia científica. 

A ivermectina é indicada para tratar algumas parasitoses e também piolho em humanos. Há diversos estudos clínicos em andamento no mundo com a ivermectina, porém, poucos foram finalizados e ainda não há resultados publicados ou evidências clínicas que suportem um protocolo terapêutico para tratar ou prevenir a COVID-19 utilizando a ivermectina.

Em doses baixas, os efeitos adversos mais comuns – dor muscular ou nas articulações, tonturas, febre, dor de cabeça, agravamento de casos de asma, e elevação da frequência cardíaca – são pouco frequentes. Pessoas com disfunções cerebrais devem ter seu uso controlado uma vez que este fármaco pode agravar o quadro neurológico. Entretanto, em doses altas, esses efeitos “tóxicos” podem ser mais intensos e frequentes.

“É importantíssimo ressaltar que esses efeitos são semelhantes a alguns sintomas relatados para a COVID-19, e o indivíduo pode interpretar erroneamente como sendo efeito do medicamento e não procurar o sistema de saúde”, alerta Flavio da Silva Emery, professor associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto-USP e presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas. Segundo ele, “o uso profilático traz um agravante, que é o fato de o indivíduo achar que está protegido e relaxar os cuidados, vindo a se expor”.

Um dos protocolos que vem sendo veiculado é a associação com cloroquina/hidroxicloroquina. Quando esse medicamento é coadministrado com cloroquina (principalmente) ou hidroxicloroquina, os efeitos adversos se intensificam e podem causar rabdomiólise (síndrome que causa destruição de fibras musculares esqueléticas e pode provocar insuficiência renal) e intensa mialgia (dor muscular). Isso por causa da interação medicamentosa entre a cloroquina e a ivermectina.

“Os medicamentos não devem ser utilizados sem comprovação científica e, no momento, a prevenção mais eficaz ainda é o uso de máscaras, cuidado com a higiene e ficar em casa o maior tempo possível”, alerta Flavio Emery, doutor em Química de Produtos Naturais e membro do Sub-comitê Drug Discovery and Development da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada.

ABCF
Foi criada em 2003 durante o IV CIFARP - Congresso Internacional de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto-SP, na área de Farmácia, é a entidade científica que faz indicação de membros de representantes para os respectivos comitês nas agências de fomento nacional - CNPq e CAPES.

Integram o Conselho, pesquisadores de várias universidades brasileiras: Denise Brentan da Silva (UFMS), Fávero Reisdorfer Paula (UNIPAMPA), Raquel Brandt Giordani (UFRN), Tania Mari Bellé Bresolin (UNIVALI), Maira Galdino da Rocha Pitta (UFPE), Wanda Pereira Almeida (UNICAMP).
Data de inclusão: 06/07/2020
Fone: (16) 39162840
Contato: Bruna
Empresa: Texto & Cia Comunicação
Entrar em contato: Entrar em contato
Grupo editorial: [Saúde ]
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